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Artigos Publicados - ATUÁRIA - UMA PROFISSÃO IMPORTANTE E AINDA POUCO CONHECIDA
 

ATUÁRIA - UMA PROFISSÃO IMPORTANTE E AINDA POUCO CONHECIDA

1996-07-02

A ciência atuarial, e a conseqüente aplicação de sua técnica, vem se expandindo pelo mundo há mais de um século.

No Brasil, o atuário tem sido importante profissional no desenvolvimento dos cálculos de sustentação e disciplinamento técnico desde a implantação da indústria de seguros e da previdência social, esta impulsionada de forma marcante por Getúlio Vargas a partir da década de 30, com a instituição dos antigos IAP's (Institutos de Aposentadorias e Pensões).

Inicialmente, sem formação específica, eram em geral os engenheiros e matemáticos que se dedicavam aos estudos e trabalhos atuariais.

Posteriormente, com o início dos cursos superiores de formação específica a partir das décadas de 40 e 50, vindo a seguir o advento da lei do atuário em 1969, a atuação profissional vem crescendo e se expandindo.

Mesmo com todo este passado, ainda hoje a profissão é de pouco conhecimento público, restringindo-se aos setores específicos de seguros, previdência e capitalização, onde é imprescindível.

Para bem definir o que caracteriza a formação e atuação do atuário, transcrevemos a seguir o artigo 1º do Decreto nº 66.408 de 3/4/70, que regulamentou o Decreto-lei nº 806 de 4/9/69, que dispõe sobre a profissão do atuário.

"Entende-se por atuário o técnico especializado em matemática superior que atua, de modo geral, no mercado econômico-financeiro, promovendo pesquisas e estabelecendo planos e políticas de investimentos e amortizações e em seguro privado e social, calculando probabilidades de eventos, avaliando riscos e fixando prêmios, indenizações, benefícios e reservas matemáticas".

Portanto, o centro de atuação do atuário é a análise e as conseqüências econômicas do risco, que tem características específicas a cada situação estudada, sendo tipicamente um fenômeno futuro e aleatório. Logo, o ferramental básico do profissional de atuária constitui-se da estatística, em particular o cálculo das probabilidades, da matemática financeira e da demografia, esta avaliada nos aspectos quantitativos e qualitativos.

Tudo isso descrito, é fácil concluir que o campo profissional mais característico do atuário está nas companhias de seguro, entidades de previdência pública e privada, nas empresas de medicina de grupo, atuando geralmente na forma de assessoria e consultoria técnica.

A atividade do atuário no mercado financeiro em nosso país ainda é incipiente, porém emergente, em função do maior valor dado à análise do risco, principalmente com a estabilização da moeda. A constituição de companhias de financiamento imobiliário podem fazer ressurgir a atuação do atuário neste segmento, o que já ocorreu no passado, com o desenvolvimento técnico dos planos do extinto Banco Nacional de Habitação (BNH).

No trabalho do atuário de avaliação dos riscos futuros, associados ao seguro e aos planos previdenciários, é preciso, primeiramente, coletar e analisar dados sobre os quais serão desenvolvidos modelos matemáticos. Com base nos cálculos, o atuário tem condições de determinar o valor a ser pago pelo segurado, denominado prêmio, que garantirá a cobertura do risco esperado, de forma a dar sustentação às operações para as partes envolvidas no contrato : segurado e segurador.

Portanto, a estatística é de suma importância na formação e atualização do atuário, porém na sua atuação profissional são também extremamente necessários a informática e conhecimentos, pelo menos básicos, de contabilidade, economia, administração e direito, dado que o seu trabalho interage com quase todos os profissionais da empresa.

Atualmente, a profissão do atuário tem ganho relevância, dado que seu restrito campo de atuação vem sendo objeto de discussão pela sociedade, quer quanto às questões relativas à reforma da previdência, quer quanto aos planos de saúde. Estes debates, embora cercados de mistificação, terão, mais cedo ou mais tarde, a verdade vindo à tona, e então as decisões para serem maduras e consistentes irão obrigatoriamente se respaldar na técnica atuarial.

Este texto foi publicado no Jornal da Editora Campos em julho de 1996.



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